Ponto de Vista, por Sandra Franco
O valor de uma trajetória construída com coragem
Escrito por: Sandra Franco
Recebi, com muita honra, o convite para escrever este artigo. O tema desta edição me levou, naturalmente, a revisitar minha trajetória e perceber o quanto a minha história pessoal e profissional se mistura com a própria história de crescimento do Grupo Positivo.
Nasci em Cascavel, no Paraná, em 1958. Sou a quarta filha de uma família de seis irmãos. Desde muito cedo, a curiosidade foi um traço marcante da minha personalidade. Guardo uma lembrança da infância que traduz bem isso: ainda pequena, saí de casa sem avisar para descobrir o que havia do outro lado da quadra onde morávamos. Caminhei, conversei com as pessoas e voltei movida apenas pela vontade de conhecer. Hoje, penso que dificilmente uma criança faria isso. Naquele momento, eu só queria descobrir o mundo.
Estudei em escolas públicas durante minha formação básica. Em 1973, com 14 para 15 anos, passei em um concurso e comecei a trabalhar como auxiliar na biblioteca da mesma escola em que estudava. Minha rotina já era intensa: curso científico pela manhã, escola regular à tarde e trabalho à noite. Ali aprendi, cedo, o valor da responsabilidade.
Em 1975, convenci minha família de que eu precisava estudar em Curitiba. Foi nesse momento que o Positivo entrou definitivamente na minha jornada. Abandonei o concurso, a escola normal e o magistério para concluir o ensino médio e seguir novos caminhos. Crescer, a partir daquele momento, traduziu-se em fazer escolhas.
Em 1976, iniciei dois cursos simultaneamente: Administração de Empresas, na FACE, e Engenharia Operacional Eletrônica, no então CEFET. Em 1980, formada em Administração e cursando Engenharia, iniciei minha vida profissional em diferentes segmentos até que em 1983, cheguei ao Positivo — destino que, de certa forma, já estava traçado desde quando saí da minha cidade natal.
Estou no Grupo Positivo há 43 anos, completados em julho de 2026.
Comecei como auxiliar de planejamento, sob a gestão do professor e fundador do Grupo Positivo, Renato Vaz, e cheguei à gerência da área, reportando-me ao diretor financeiro (CFO), à Vice-Presidência e à Presidência. Quando iniciei, computadores não faziam parte da nossa realidade. Os orçamentos eram elaborados manualmente, com memória de cálculo detalhada, máquinas de escrever e extremo cuidado, em um cenário de inflação elevada.
Com o tempo, a tecnologia transformou nossa forma de trabalhar, pois vieram os primeiros computadores, as planilhas — Lotus 1-2-3 e Quattro Pro — até o Excel. Cada avanço exigiu aprendizado e adaptação. Crescer com qualidade passou a significar evoluir sem perder o vigor.
Além do Planejamento, hoje chamado de Controladoria, assumi também a área de Contas a Pagar.
Casei-me em 1985 e, em 1986, tive meu filho, aprendendo a conciliar vida pessoal e profissional. Em 2012, vivi mais um momento profundamente marcante: tornei-me avó. Um acontecimento transformador, que amplia o olhar, fortalece valores e nos ensina, de uma nova forma, sobre cuidado, responsabilidade e legado — sentimentos que também levamos para a vida profissional.
Entre 2004 e 2005, enfrentei uma doença grave, mas segui trabalhando, e o apoio da empresa foi fundamental. Acompanhei o nascimento da Universidade Positivo, da Positivo Tecnologia e a transição de gerações na gestão do Grupo. Em 2013, pensei em encerrar esse ciclo, mas surgiu um novo desafio com a Auditoria Interna. Aos poucos, fui me identificando com a área e com seus desafios nada rotineiros.
Em 2021, em plena pandemia, voltei a assumir também a gestão da área de Contas a Pagar. Desde então, somos constantemente desafiados a melhorar processos, inovar e elevar a qualidade. Em 2025, a Inteligência Artificial passou a fazer parte dessa reflexão, apoiando a criação de auditorias automatizadas de reembolsos e gastos com cartão.
Hoje, tenho a convicção de que crescer com qualidade é crescer com consciência, ética e respeito às pessoas.
É entender que resultados sustentáveis nascem de processos bem construídos, de decisões responsáveis e de relações baseadas em confiança. Expandir com propósito é saber que cada avanço só faz sentido quando gera valor real — para a empresa, para as pessoas e para a sociedade.



















